segunda-feira, 18 de março de 2013

A História do Halloween (e de Samhain)

Apesar de estarmos no Brasil e não ter muito sentido comemorar uma festividade que não têm muita relação com nosso cotidiano, não há como negar que essa data é uma das preferidas para festas temáticas e festas à fantasia de fim de ano. Mas, você sabe o significado desse dia? Já parou para se perguntar por que o Dia das Bruxas é tão perto do Dia de Todos os Santos e do dia de Finados? Tudo está relacionado com as tradições da antiguidade, que ainda vivem em nossa sociedade através de datas como essas. O Dia das Bruxas (e os outros citados acima) têm relação direta com uma festividade celta chamada Samhain. História de Samhain Para entender Samhain (pronuncia-se Sow-wen) é necessário voltarmos até os Celtas da antiguidade, que viveram há mais de 2 mil anos atrás. Ao contrário do que alguns acreditam, essa não é uma celebração a um Deus Celta dos Mortos. Na verdade, o significado da data está relacionado com o significado da palavra. Samhain é uma palavra Celta que significa "fim do verão". Os celtas acreditavam que o verão terminava no dia 31 de outubro e que o ano novo se iniciava no dia 1° de novembro, junto com o início do inverno. E a explicação para essa data ser comemorada somente à noite está também relacionada ao fato de que os Celtas também seguiam um calendário lunar, e por isso as suas celebrações começavam no anoitecer da noite anterior. Muitos vêem o dia de Halloween como um dia festivo pagão, no entanto isso não é totalmente certo, já que o dia de Samhain é no dia 1° de novembro. Mas como citamos anteriormente, as festividades começam à partir do anoitecer do dia 31 de outubro, na véspera de Samhain (só lembrar da véspera de natal que vocês entenderão). Durante o dia, todas as fogueiras das casas eram apagadas. Muitas vezes, as famílias aproveitavam a data para fazer uma limpeza e jogar fora tudo aquilo que era velho para dar espaço para coisas novas, iniciando o inverno com uma casa arrumada e limpa. Ao anoitecer do dia 31 de outubro, os moradores das vilas começavam a cerimônia formal para Samhain acendendo uma fogueira gigante. As pessoas se reuniam em torno da fogueira para queimar oferendas, como animais e sementes de colheita, como sacrifício aos deuses Celtas. Isso era uma forma de dar aos Deuses e Deusas sua parte do rebanho ou da colheita do ano anterior. Adicionalmente, essas fogueiras sagradas eram uma parte muito importante da limpeza das coisas do ano que terminavae uma forma de se preparar para o ano que começava. Durante a celebração, os Celtas vestiam roupas especiais e dançavam em torno da fogueira. Muitas dessas danças contavam histórias ou brincavam com os ciclos da vida e da morte, ou comemoravam o ciclo da Roda da Vida, na forma como os Celtas acreditavam. As roupas eram adornadas com três cores principais, pelos seguintes motivos: Em honra aos mortos, que finalmente poderiam partir para o outro mundo. Os Celtas acreditavam que as almas eram liberadas do mundo dos mortos durante a vérspera de Samhain. Aqueles que tinham suas almas aprisionadas nos corpos de animais eram liberadas pelo Senhor dos Mortos e enviadas para suas novas encarnações. A outra razão pela qual se usavam as roupas especiais era para se esconder desses espíritos maus e escapar das suas travessuras. Nem todas essas almas eram de pessoas honradas e respeitadas. Algumas eram temidas pois elas poderiam voltar ao mundo físico e destruir plantações, esconder o gado ou mesmo caçar as pessoas vivas que as tivessem feito o mal. A representação final dessas roupas especiais era como uma forma de honrar os deuses e deusas Celtas da colheita, dos campos e dos rebanhos, dando graças e homenagens a essas divindades que ajudaram a aldeia através das provações e tribulações do ano anterior, e para pedir seu favor durante o próximo ano e os meses de inverno rigoroso que se aproximavam. Além de festas e dança, acreditava-se que isso afinava o véu entre o mundo físico e o outro mundo, provendo energia extra para a comunicação entre os vivos e os mortos. Com essa facilidade maior de comunicação com o outro mundo, druidas e xamãs Celtas tentavam ler a sorte das pessoas através de uma variedade de métodos. Para um povo totalmente dependente do mundo natural, essas profecias eram importantes fontes de conforto e serviam como guias durante o longo inverno. De Samhain para Halloween Os Celtas foram conquistados pelos Romanos por volta do ano 40 da nossa era e, com a ascenção do Cristianismo por volta do ano 800, a Igreja tentou cristianizar os antigos festivais Celtas. Papa Bonifácio IV designou o dia 1° de novembro como "Dia de Todos os Santos", em honra a todos os santos e mártires cristãos. Ele também decretou que o dia 31 de outubro como "All Hallows Eve", que veio a se tornar o que conhecemos como Halloween. É bastante aceito hoje que o Papa estava tentando suplantar os feriados pagãos por um dia santo cristão. Com o subsequente espalhamento da religião católica pela europa e pelo mundo, o nome também foi evoluindo até alcançar sua forma atual. 200 anos depois, no ano 1000 da nossa era, a Igreja decretou que o dia 2 de novembro seria o dia de Finados (All Souls Day), em homenagem aos mortos. Essa data era celebrada de forma similar a Samhain, com grandes fogueiras e vestindo fantasias de santos, anjos e demônios. Gostosuras ou Travessuras Gostosuras ou Travessuras (em inglês: Trick-or-treating) é uma tradição moderna, com suas raízes nas primeiras festas de Dia de Todos os Santos, na Inglaterra. Durante as festividades, pessoas pobres suplicavam por comida e as famílias lhes davam bolos chamados "Bolos de Alma", em troca de que essas pessoas orassem pelos mortos dessas famílias. A distribuição dos bolos era encorajada pela Igreja como uma forma de substituir um antigo costume de deixar comida e vinho para os "espíritos vagantes". A prática, chamada de "Caça aos Espíritos", foi eventualmente pega pelas crianças que visitavam as casas de seus vizinhos e recebiam comida, bebida e até dinheiro. Se fantasiar para o Halloween têm suas origens no fato de as pessoas se vestirem de maneira diferente durante o festival Celta do fogo sagrado, em Samhain. Jack da Lanterna Existem duas linhas de discussão sobre a origem das Lanternas de Halloween. Uma delas sugere que velas eram usadas para guiar os espíritos dos mortos enquanto estivessem caminhando no mundo físico. E essas velas eram colocadas em cuias decoradas e colocadas no chão para iluminar o caminho. Outra linha vêm de um mito irlandês chamado "Jack Miserável". O conto é o seguinte. Jack Miserável e o Diabo entraram em um bar e pediram um drinque. Jack convenceu o Diabo a se tornar uma moeda para pagar pelos drinques. Mas, em vez de usar a moeda, Jack guardou ela dentro do bolso, do lado de uma cruz de prata. A cruz impedia que o Diabo voltasse à sua forma original. Jack eventualmente libertou o Diabo, sob a condição de que ele não incomodaria Jack por um ano e, se Jack morresse nesse período, o Diabo não poderia reinvidicar sua alma. E o Diabo aceitou os termos. Jack novamente enganara o Diabo. Dessa vez, o Diabo subiu em uma árvore para pegar uma fruta. Enquanto ele estava lá em cima, Jack esculpiu uma cruz na casca da árvore, de forma que o Diabo não pudesse descer. Novamente, Jack fez um acordo com o Diabo. ele libertaria o Diabo de cima da árvore se ele prometesse não incomodar Jack por 10 anos e, se Jack morresse nesse período, o Diabo não poderia reinvidicar sua alma. E o Diabo novamente aceitou os termos. Não muito depois disso, Jack veio a morrer. Mas, por causa da sua travessura, Deus não permitiu que ele entrasse no Céu. E por manter sua palavra de não reinvidicar sua alma, o Diabo não permitiu que Jack entrasse no inferno. Ao invés disso, ele enviu Jack para a Escuridão do Mundo entre os Mundos com nada mais do que um pedaço de carvão. Jack colocou o carvão aceso dentro de um nabo e vem vagando pela terra desde então. A tradição irlandesa passou a se referir ao conto como "Jack da Lanterna". Os povos irlandeses e escoceses começaram a fazer lanternas cavando rostos assustadores em nabos (e os americanos mais tarde, em abóboras) e colocando as mesmas em janelas ou próximos de portas para assustar e afastar espíritos vagantes. Conclusão Tendo ou não importância para nosso contexto cultural, o mais importante é entender o porque de uma festividade. Todas as datas festivas do nosso calendário têm uma história bem mais profunda para nos contar, e saber um pouco mais delas nos faz pensar um pouco mais sobre nossa história aqui nesse planeta. Happy Halloween Happy Samhain Fontes: The History of Samhain and Halloween Hallowe'en / Halloween / Samhain Samhain (Samain) - The Celtic roots of Halloween

Samhain

Mitologia celta : Samhaim (em irlandês Samhain, gaélico escocês Samhuinn, manês Sauin e em gaulês Samonios) era o festival em que se comemora a passagem do ano dos celtas. Marca o fim do ano velho e o começo do ano novo. O Samhain inicia o inverno, uma das duas estações do ano dos celtas. O início da outra estação, o verão, é celebrado no festival de Beltane. Este festival, Samhain, é chamado de Samonios na Gália. Segundo alguns autores, grande parte da tradição do Halloween, do Dia de Todos-os-Santos e do Dia dos fiéis defuntos pode ser associada ao Samhaim. O Samhaim era a época em que acreditava-se que as almas dos mortos retornavam a suas casas para visitar os familiares, para buscar alimento e se aquecerem no fogo da lareira.[1] Alguns autores acham que não existe nenhuma evidência que relacione o Samahin com o culto dos mortos e que esta crença se popularizou no século XIX. Segundo o relato das antigas sagas o Samhain era a época em que as tribos pagavam tributo se tivessem sido conquistadas por outro povo. Era também a época em que o Sídhe deixava antever o outro mundo. O fé-fiada, o nevoeiro mágico que deixava as pessoas invisiveis, dispersava no Samhain e os elfos podiam ser vistos pelos humanos. A fronteira entre o Outro Mundo e o mundo real desaparecia.[2] Uma das datas do calendário lunar celta de Coligny pode ser associada ao Samhain. No 17º dia do mês lunar Samon, a referência *trinox Samoni sindiu é interpretada como a data da celebração do Samhain ou do solstício de Verão entre os Gauleses.[3] Índice [esconder] 1 Etimologia 2 Samhain atualmente 3 Países lusófonos 3.1 Portugal e na Galiza 3.2 Brasil 4 Ligações externas 5 Referências Etimologia A palavra Samhain significa fim de verão e deriva de duas palavras "samh",verão, e "fuin", fim.[4] O mês de Novembro é chamado em Irlandês de "Mí na Samhain". Samhain atualmente Hoje ainda é comemorado e sobreviveu à cristianização através do halloween, ou dia das bruxas, onde as crianças pedindo doces representam os sidhs que passavam do outro mundo para este nesta noite. Os praticantes de diversas religiões inclusive neopagãs celebram-no, como por exemplo o Druidismo. Ele é celebrado no dia 31 de Outubro no hemisfério norte e 30 de abril no hemisfério sul. Essa diferença existe porque as estações são invertidas de um hemisfério para o outro. Esta era a celebração de "ano novo" dos Celtas e ainda hoje se encontra grupos que celebram e assim o consideram, como o fim do ano. Esta ligado ao culto aos Ancestrais, tão importante na espiritualidade Celta, e aqui os mortos queridos, podem bailar conosco e dividir nossa ceia sagrada, pois é nesta noite que as cortinas do Outro Mundo estão abertas. Os Celtas não acreditavam em demónios, mas determinadas entidades magicas eram consideradas hostis para os humanos, seus animais e colheitas. Deste modo muitas pessoas pregavam partidas aos seus vizinhos, como trocar os gados por figuras humanoides, para assustar, ao qual se tornou muito famosa a Jack o'Lantern ou a famosa abóbora iluminada de Halloween. Países lusófonos Portugal e na Galiza O Samhain é uma festa associada ao ciclo anual do sol que faz parte do Património Imaterial Galego-Português. A recuperação da tradição do Samhain envolve várias escolas que promovem actividades que por sua vez são inseridas na promoção da candidatura a Património Imaterial.[5][6] Diversas aldeias na Galiza começaram a recuperar as celebrações apoiadas pela recolha de testemunhos e documentos sobre as antigas tradições locais [7][8] Provavelmente o Magusto seja o herdeiro direto no território da velha Gallaecia do antigo Samhain, conservado ainda hoje com o seu ritual culinário específico no que as castanhas fazem uma parte importante do mesmo. Brasil Muitos grupos de neopaganismo e Druidismo ainda celebram este Festival, e no Brasil não é diferente. Sendo dentro de casa ou em matas fechadas, a 1 de maio pode-se notar a aura de Samhain rodando a noite, convidando para a fogueira. Aqui as celebrações ainda são discretas e reservadas aos pequenos grupos, nada público, mas isso pode mudar. Existe um grupo que por respeito à sua língua mãe (o português), e por desconhecimento das tradições do Magusto, traduz o nome do Festival de Samhain para "Noite dos Antepassados", o que é bastante aceitável e comum.Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.

quinta-feira, 14 de março de 2013

Bruxas: uma história de magia e terror

O Halloween é conhecido também como o Dia das Bruxas. Brincadeiras à parte, o mito da mulher má, que fazia pactos com o demônio, nasceu na Idade Média, quando milhares de mulheres foram presas, acusadas de bruxaria e queimadas vivas. Hoje, elas são lembradas como figuras assustadoras, voando em vassouras e fazendo feitiços malévolos na festa do Halloween. Em outras culturas, porém, as mulheres sábias, que conhecem remédios e fazem curas, são respeitadas, procuradas pelas pessoas e, em muitos lugares, representam a fonte da sabedoria, a memória da comunidade e quase sempre, o único médico. A vida em um mundo mágico Desde os tempos em que habitavam as cavernas, na época que chamamos de Pré-história, as pessoas dividiam seus interesses entre a batalha pela sobrevivência e seus temores e crenças. Ao mesmo tempo em que criavam instrumentos para facilitar a coleta de alimentos e a caça de animais, criavam também os seres mitológicos que serviam para explicar tudo que acontecia. Os deuses antigos eram, em sua maioria, feminina. Como era a mulher que ficava na caverna ou na tenda, cuidando dos filhos, da cozinha e, depois, das primeiras plantações, ela se encarregou também dos medicamentos, do socorro aos doentes, das rezas e dos partos. Sábias depositárias dos segredos da maternidade e da morte constituíam o eixo da descendência. As sociedades conhecidas dessa época eram, portanto, matriarcais. Entre todas as manifestações divinas, a maternidade era a que mais maravilhava as pessoas. O poder de gerar novas vidas dava à mulher um caráter sagrado. A criação do mundo era entendida como obra de uma Grande Mãe. Com o surgimento das sociedades agrárias, o culto à Grande Mãe floresce em todo o seu esplendor. Acreditava-se que a fertilidade dotava a mulher de poderes capazes de aumentar a fertilidade da terra e dos animais. Do matriarcado ao patriarcado "No princípio era a Mãe. O verbo veio depois". A frase da pensadora feminista norte-americana Marilyn French refere-se à passagem da cultura matriarcal para a patriarcal. O nascimento da agricultura e a definição dos territórios tribais levaram ao acirramento das disputas e das guerras. As concentrações humanas cresceram organizadas em torno da produção de alimentos e das lideranças guerreiras que lhes davam proteção. Essa mudança levou à queda das deusas e à criação dos deuses – fortes, guerreiros, conquistadores. A saga de Conan, levada para o cinema, nos dá uma idéia de como eram esses tempos. Os textos bíblicos também lembram essa época: a mulher obedece e serve. É mãe, cortesã ou prostituta e não tem poder político. Nas sociedades ocidentais, os deuses acabam dando lugar a um só deus, matriz das três principais correntes religiosas do mundo atual: o cristianismo, o judaísmo e o islamismo. A mulher passa para um segundo plano. A sabedoria milenar das bruxas Muitas mulheres, porém, continuaram nos caminhos da sabedoria, passando de mãe para filha os segredos do parto, das curas, das rezas, dos caminhos para o desconhecido, que hoje chamamos de mágico. Até a queda do Império Romano, a palavra bruxo designava apenas um praticante de magia. Esses bruxos – em geral, mulheres – eram pessoas ao mesmo tempo respeitadas e temidas nas comunidades. Segundo o folclore europeu – principalmente dos povos nórdicos e germânicos –, os bruxos sentiam-se mais à vontade durante a noite, quando tinham encontros secretos com divindades do céu e da terra. As lendas se referem a eles como sábios que cavalgavam javalis ou lobos e faziam profecias. Merlin, que na lenda do rei Arthur preparou o menino para o reinado, é uma representação desses sábios. A fada Morgana, heroína celta do livro As Brumas de Avalon, é outra. Apesar da cultura patriarcal predominante, esses povos ainda apresentavam resquícios dos milenares cultos à Deusa-Mãe, representados pela forte ligação com os elementos da natureza. No Brasil, encontramos essas mulheres sábias nas ruas, vendendo ervas de nossas matas, aconselhando e dando receitas para as doenças do corpo e da alma. Elas conhecem cada planta, seus princípios ativos e, nos últimos tempos, tiveram sua sabedoria reconhecida pela ciência. Muitas universidades pesquisam os efeitos desses remédios populares e há laboratórios que já industrializam essas medicações. A magia do mundo celta Entre os povos que habitavam a Europa no início da Idade Média, os celtas eram especialmente ligados à magia. Habitando uma terra que seria pródiga em gnomos e contos de fada, os celtas utilizavam feitiços para marcar os momentos mais significativos de suas vidas. Por exemplo: a coroação de um novo rei e o início da época do plantio ou da colheita. As primeiras punições Depois de um longo período de paz para as bruxas, os povos europeus da Idade Média mergulharam numa longa fase de perseguições àqueles que tinham crenças diferentes das do cristianismo. Por razões econômicas e religiosas, a igreja católica assumiu a caça às bruxas, construindo a idéia de que elas eram associadas ao diabo. Em quase toda a Europa, o tratamento era o mesmo: as leis permitiam que a família da vítima punisse a bruxa. A saga irlandesa Laxdaela, do século XII, conta à história de um casal de bruxos que foram apedrejados até a morte, acusados de ter causado, com feitiços, a morte de um garoto de 12 anos. Já em 500 a.c., os franco-sálios – habitantes da região da atual França – afirmavam: "Se uma bruxa destruir um homem e houver provas de tal feito, ela deverá pagar à família da vítima uma multa de 200 shilings de ouro e uma soma menor caso a vítima apenas adoeça". A condenação à morte acontecia apenas nos casos em que a bruxa confessava sua culpa ou não podia pagar a multa. Mas os caçadores de bruxas aperfeiçoariam seus interrogatórios e cada vez mais mulheres acabariam confessando o crime de bruxaria. Quando satanás entra na história Depois da queda do Império Romano, a igreja católica foi à única instituição capaz de manter uma certa unidade cultural na Europa. E, com o passar do tempo, sua influência foi ficando mais e mais poderosa. Apesar disso, era comum que pessoas se declarassem cristãs, mas se mantivessem fiéis aos costumes pagãos de seus antepassados. Os povos nórdicos, por exemplo, mesmo depois de convertidos ao cristianismo, continuavam a fazer festas em homenagem a Thor. Acendiam fogueiras, realizavam antigos rituais, bebiam muito vinho e cerveja. Dançavam e cantavam. Mesmo condenando essas práticas, a igreja não conseguia coibi-las totalmente. Apelou então para um expediente que se mostrou muito eficaz: incorporou as datas festivas pagãs ao calendário cristão. E, para acabar de vez com qualquer tipo de idolatria, passou a identificar os deuses pagãos à figura de satanás para se contrapor à figura de seus. E as punições foram se tornando mais cruéis. Em 787, um edital de Carlos Magno, dirigente do Império Romano (800 a 814), declarava: "Se alguém sacrificar um ser humano ao demônio e oferecer sacrifícios aos demônios obedecendo aos costumes pagãos, poderá ser levado à morte". O cenário para a caça às bruxas estava finalmente montado. No início da Idade Média, a figura da bruxa má e feiosa assume seu lugar no imaginário popular. De antigas detentoras de conhecimentos milenares, ligadas à Deusa-Mãe, as feiticeiras passaram a ser vistas como "esposas do demônio", mulheres perversas capazes de todas as atrocidades. A Inquisição espalha o terror Primeiro, a igreja começou a perseguir os heréticos. Qualquer pessoa que interpretasse de maneira errônea os evangelhos era passível de punição. O primeiro grande tribunal público medieval contra as heresias – incluindo as bruxarias – foi organizado em Orléans, em 1022. Os réus eram reformistas que pregavam que o reino de deus estaria no coração dos homens e, por isso, as igrejas eram dispensáveis. O julgamento foi conduzido em segredo, sem a presença de um júri. Ninguém podia confrontar seus acusadores nem saber a identidade dos delatores. Foram todos condenados à fogueira. Quando um acusado admitia sua culpa, era multado ou preso e todos os seus bens eram confiscados. Esses bens passavam para o controle da igreja. Daí, inclusive, o interesse de algumas autoridades nas condenações. Finalmente, a igreja católica criou, em 1233, a Inquisição. Em pouco tempo, essa terrível instituição espalhou o terror pela França, Itália e Alemanha, chegando com menos intensidade à Inglaterra, à Espanha, a Portugal e até mesmo ao Brasil. É difícil precisar o número de pessoas condenadas à morte. Uma coisa, porém, é certa: entre todos os condenados à morte por bruxaria, mais de 85% eram mulheres. Algumas cidades realizaram mais de 600 execuções por ano, uma média de duas por dia, "exceto aos domingos". Como interrogar uma bruxa Em 1486, com as bênçãos do papa Inocêncio, Heirich Kramer e James Sprenger escreveram aquele que seria o livro de cabeceira dos inquisidores e torturadores dos séculos seguintes. O Malleus Maleficarum – O Martelo das Feiticeiras (Editora Rosa dos Tempos, 1991) ensinava como reconhecer uma bruxa e, principalmente, técnicas de tortura que deviam ser aplicadas para obter confissões. O livro unia as crenças folclóricas sobre feitiçaria com a doutrina da igreja sobre heresia e culto ao diabo. E consolidava definitivamente o desprezo pela figura da mulher: "O que é a mulher senão a inimiga da amizade?", escreveram os autores. "Uma inevitável punição, um mal necessário, uma tentação natural?". As mulheres seriam falsas, lascivas, mal-intencionadas e sem força de vontade. Totalmente voltadas para a convivência com o demônio "porque eva nasceu de uma costela de adão, portanto nenhuma mulher pode ser reta". Em pleno Renascimento, época de grandes descobertas científicas e agitação cultural – às vésperas dos grandes descobrimentos –, a publicação do Malleus Maleficarum intensificou a perseguição às bruxas em toda a Europa. Em 1579, o concílio da igreja declara: "Todos os charlatães, adivinhos e outros que pratiquem necromancia, piromancia, quiromancia e hidromancia serão condenados à morte". O fim das perseguições Da mesma maneira como a caça às bruxas chegou, ela se foi. Fim da histeria coletiva? Ou indícios de que os interesses econômicos começavam a superar outros interesses? Afinal, se a matança indiscriminada trazia muitas riquezas para a Igreja, também causava prejuízos ao capitalismo que se formava. Eram milhares de trabalhadores em potencial mortos, cidades economicamente estagnadas pelo terror, pelos interrogatórios sem fim, pelas execuções em massa. A atuação da inquisição também era incompatível com a nova mentalidade científica que começava a despontar e que ficaria conhecida como Iluminismo. O mundo mais uma vez estava mudando e, neste novo horizonte que se delineava, não havia espaço para delírios espirituais. Na Inglaterra, três velhas sofridas foram as últimas acusadas de bruxaria. Morreram enforcadas em 1682. Na França, curiosamente, a última vítima da caça às bruxas foi um homem. O frade Louis Debaraz foi queimado vivo em 1745, acusado de rezar missas para o demônio. Na Alemanha, o terror terminou em 1775, depois da execução de mais uma bruxa confessa: Anna Maria Schwagel. Nenhuma delas voava em vassouras ou tinha verrugas no nariz, usava chapéu preto ou cozinhava aranhas, mas é assim que, infelizmente, teimamos em lembrar delas no Dia das Bruxas.Fonte:bruxaguinevere

Bruxas

Uma bruxa é geralmente retratada no imaginário popular como uma mulher velha e encarquilhada, exímia e contumaz manipuladora de Magia Negra e dotada de uma gargalhada terrível. É inegável a conexão entre esta visão e a visão da Hag ou Crone dos anglófonos. É também muito popularizada a imagem da bruxa como a de uma mulher sentada sobre uma vassoura voadora, ou com a mesma passada por entre as pernas, andando aos saltitos. Alguns autores utilizam o termo, contudo, para designar as mulheres sábias detentoras de conhecimentos sobre a natureza e, possivelmente, magia. Algumas bruxas históricas adquiriram alguma notoriedade, como é o caso chamadas Bruxas de Salem, a Bruxa de Evóra e Dame Alice Kytler (bruxa inglesa). São também bastante populares na literatura de ficção, como nos livros da popular série Harry Potter, nos livros de Marion Zimmer Bradley (autora de As Brumas de Avalon, que versam sobre uma vasta comunidade de bruxos e bruxas cuja maioria prefere evitar a magia negra, ou a trilogia sobre as bruxas Mayfair, de Anne Rice. As bruxas foram implacavelmente caçadas durante a inquisição na Idade Média. Um dos métodos usados pelos inquisidores para identificar uma bruxa nos julgamentos do Santo Ofício consistia na comparação do peso da ré com o peso de uma Bíblia gigante. Aquelas que fossem mais leves eram consideradas bruxas, pois dizia-se que as bruxas adquiriam uma leveza sobrenatural. Frequentemente as bruxas são associadas a gatos pretos, que dentre as Bruxas Tradicionais são os chamados Puckerel, muitas vezes tidos como espíritos guardiões da Arte da Bruxas, que habitam o corpo de um animal. Estes costumam ser designados na literatura como Familiares. Diziam que as bruxas voavam em vassouras a noite e principalmente em noites de lua cheia, que faziam feitiços e transformavam as pessoas em animais e que eram más. Hoje em dia essas antigas superstições como a da bruxa velha da vassoura na lua cheia já foram suavizadas, devido à maior tolerância entre religiões, sincretismo religioso e divulgação do paganismo. Gerald Gardner tem destaque nesse cenário como o pai da Religião Wicca- A Religião da Moderna Bruxaria Pagã, formada por pessoas que são Bruxos/as mas que utilizam a "Arte dos Sábios" ou a "Antiga Religião" mesclada a práticas e conhecimentos de outras tradições. A classificação de magia como negra e branca´não existe para os bruxos, pois se fundamentam nos conceitos de bem e mal, que não fazem parte de suas crenças, por isso, como costumam dizer, toda magia é cinza. A Arte das Bruxas como era feita antes é chamada de Bruxaria Tradicional, ainda remanescendo até os dias atuais em grupos seletos, via de regra ocultos. Hoje também pode-se encontrar uma vasta quantidade de livros e sites que explicam a "Antiga Religião" mas geralmente se tratam de Wicca, pois os membros de grupos de Bruxaria Tradicional costumam preferir o ostracismo, revelando-se publicamente apenas em ocasiões especiais ou para que novos candidatos os localizem. Em algumas regiões do Brasil o termo também pode ser usado para designar uma mariposa (traça em Portugal) grande e de coloração escura[carece de fontes?]. Talvez por associar-se a imagem da borboleta a uma imagem humanóide feminina como as fadas e, assim, remeter a imagem da mariposa à de uma senhora de idade avançada, de vestes escuras e de hábitos noturnos - a bruxa. História À afirmativa de existência de bruxas à forma retratada em registros da Idade Média, incluindo histórias infantis que permaneceram em evidência até os dias atuais, admite-se uma ressalva: elas parecem ter existido apenas no imaginário popular como uma velha louca por feitiços enigmáticos, surgidas na esteira de uma época dominada por medos, quando qualquer manifestação diversa ou mesmo a crença na inexistência de bruxas da forma retratada pelas autoridades clericais era implacavelmente perseguida pela Igreja. A feitiçaria já era citada desde os primeiros séculos de nossa era. Autores como o filósofo grego Lucius Apuleius (123-170), fazia alusão a uma criatura que se apresentava em forma de coruja (lilith), que na verdade era uma forma descendente de certas mulheres que voavam de madrugada, ávidas de carne e sangue humanos. Para os intelectuais, estes acontecimentos não passavam do imaginário popular, sonhos, pesadelos e, assim, recusavam-se a admitir a existência de bruxas. Porém, entre muitos povos não era assim: os éditos dos francos salianos falavam da Estrige como se ela existisse de fato. Os penitenciais atestavam a crença nessas mulheres luxuriosas. No início do século XI Burchard, o bispo de Worms, pedia aos padres que fizessem perguntas às penitentes, no intuito de descobrir se eram seguidoras de Satã, (…) se tinham o poder de matar com armas invisíveis cristãos batizados (…) Se sim, quarenta dias de jejum e sete anos de penitências. Até ao século XIII a Igreja não condenava severamente esse tipo de crendice. Mas, nos século XIV e XV, o conceito de práticas mágicas, heresias e bruxarias se confundiam no julgo popular graças à ignorância. Eram, em geral, mulheres as acusadas. Hereges, cátaros e templários foram violentamente condenados pela Inquisição, tomando a vez aos judeus e muçulmanos, que eram os principais alvos da primeira inquisição (século XIII). Curiosamente, foi exatamente a partir da primeira inquisição que iconografia cristã passou a representar o "Arcanjo Decaído" não mais como um arcanjo, mas com a aparência de deuses pagãos, como Pã e Cernunnos. Tal fato levou, séculos após, à suposição de que bruxas eram adoradoras do demônio, o que não faz sentido, uma vez que a figura do demônio faz parte do dogma cristão, não pertencendo às crenças pagãs e nem existindo personagem de caráter equivalente ao diabo em qualquer panteão pagão. O uso alternativo do nome Lúcifer para designar o mal encarnado, na visão cristã, agravou a ignorância a respeito do culta das bruxas, uma vez que o nome Lúcifer, pela raiz latina, representa portador/fabricante da luz (Lux Ferre), inescapável semelhança ao mito grego de Prometeu, que roubou o fogo dos céus para trazê-lo aos homens. Perseguição às bruxas.O movimento de repressão à bruxaria, iniciado na Idade Média, alcançou maior intensidade no século XV, para, na segunda metade do século XVII, ter diminuída sua chama: o número de processos de feitiçaria no norte da França aumentou de 8, no século XV, para 13 na primeira metade do século XVI, e 23 na segunda metade, chegando a 16 na primeira metade do século XVII, diminuindo para 3 na segunda metade daquele século, e para um único no seguinte. (Claude Gauvard - membro do Institut Universitaire de France). Em 1233, o Papa Gregório IX admitiu a existência do sabbat e esbat. O Papa João XXII, em 1326, autorizou a perseguição às bruxas sob o disfarce de heresia. O Concílio de Basileia (1431-1449) apelava à supressão de todos os males que pareciam arruinar a Igreja. Uma psicose se instalou. Comunidades do centro-oeste da França acusavam seus membros de feitiçarias. Na Aquitânia (1453) uma epidemia provocou muitas mortes que foram imputadas à mulheres da região, de preferência as muito magras e feias. Presas, submetidas a interrogatórios e torturadas, algumas acabavam por confessar seus crimes contra as crianças, e condenadas à fogueira pelo conselheiro municipal. As que não confessavam eram, muitas vezes, linchadas e queimadas pela multidão, irritada com a falta de condenação. Os tratados demonológicos e os processos de feitiçaria se multiplicaram, por volta de 1430, marcando uma nova fase da história pré-iluminista, de trágicas dimensões. Em 1484, o Papa Inocêncio VIII promulgou a bula Summis desiderantes affectibus, confirmando a existência da bruxaria. Em 1486 a publicação do Malleus maleficarum ("Martelo das Bruxas"), que originou a caça às bruxas, mais do que obras anteriores, associava a heresia e a magia à feitiçaria. A Inquisição, instituída para combater a heresia, agravou a turba de seguidores inspirados por Satã. Havia, ainda, um componente sexista. Os bruxos existiam, mas eram as mulheres, sobretudo, que iam queimadas nas fogueiras medievais. Em 1602 Anton Praetorius, um teólogo alemão calvinista, teve de publicar o livro "Gründlicher Bericht von Zauberey und Zauberern" ("Relatório profundo da magia, mágicos e feiticeiros") contra a quimera da bruxaria e tortura. Etimologia O vocábulo "Bruxa" é de orígem desconhecida provavelmente de orígem pré-Romana. No entanto existe uma provável relação com os vocábulos proto-celtas: *brixtā (feitiço), *brixto- (fórmula mágica), *brixtu- (magia); ou o Gaulês: brixtom, brixtia do qual deriva o nome da deusa Gaulesa Bricta ou Brixta. Fonte - Enciclopédia livre

Fantasma de Bruxa assombra Castelo Abergeldie

O Castelo Abergeldie está localizado em Crathie, Angus, Escócia e foi construído em meados do século 16, por Alexander Gordon de Midmar. Depois serviu como um refúgio para tropas reais durante algumas batalhas e foi alugado para a família real britânica entre os anos de 1848 a 1970. O local tem fama de ser assombrado por Kittie Rankie que foi acusada de bruxaria, presa e então levada para uma colina onde foi amarrada a uma estaca e queimada viva em uma fogueira. Dizem que ela era francesa e trabalhava como empregada no castelo até ser presa acusada de praticar magia negra, alguns historiadores dizem que ela não era realmente uma bruxa e que sua patroa a acusou apenas por não gostar de ouvir da boca da empregada que seu marido a atraia com outra mulher. Após a trágica morte, o espirito de Kittie foi visto no castelo, próximo ao calabouço onde ela ficou acorrentada por dias antes da execução, na torre do relógio e outros relatos contam que os sinos tocam sem haver ninguém por perto. Seria a mulher realmente uma bruxa ou seu espírito está preso na terra devido a injustiça que sofreu?clubedosmedos

Tabu - National Geographic - Feitiçaria


Como eram mortas as Bruxas e os Hereges